Observatorio para la CiberSociedad Citilab Cornellà

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Portefolios dos professores

portefólio pode servir para a nossa reflexão sobre o que somos, donde vimos, o que fazemos, como as nossas praticas são condicionadas pelo que vivemos e sentimos , é um instrumento de formação ao longo da vida, mais para nós do que para os outros. Estou aqui a pensar  que em Portugal os professores de artes não estão habitados a isso, falta-nos a tradição da reflexão, da auto-monitorização do nosso trabalho,  estou aqui em Barcelona vendo como os professores do 1º ciclo , influenciados pelos valores da  Escola  Nova e do movimento da  renovação pedagógica o fazem sistematicamente, através dos projectos de trabalho que implicam uma grande reflexão/ avaliação  do professor  e através dos relatos que eles escrevem para os pais, para os colegas. Como eles se reúnem para falar do trabalho em curso usando a avaliação como formação continua . E vejo como o nosso sistema nunca promoveu tal coisa. É cada um para si, as conversas de grupo  acabam sempre em casos pessoais do aluno z, y, z. não se reflecte do conjunto, sobre as didácticas e metodologias. Porque a nossa cultura profissional promove o professor individualista, dono a sua aula, sem ter que  prestar contas a ninguém, Não precisa de se justificar , ele é o professor , autoridade suprema , o que cumpre o programa cegamente, sem questionar,  e daí o atestado da   sua legitimidade , um passivo funcionário , moço de recados do programa escrito por uma cambada de iluminados escolhidos pelo Ministério, uma cambada de idiotas que não fazem ideia do que é o universo das escolas, dos alunos, dos professores , nem da educação artística.  Enfim uns ‘artolas’    que nem sequer entendem a biopolítica do discurso educativo do governo situado em competências em objectivos individuais , na competição,  na obediência às normas estipuladas , que regulam ética e politicamente a sociedade.

Mas parece-me que podemos mudar as coisas, por isso trabalho há tantos anos nesta coisa do portefólio , porque através dele os professores podem fazer s suas historias de vida, reflectir sobre as suas origens, o que os motivou para serem professores, as memórias chave que definem as suas praticas e ideologias. Podem buscar os textos oficiais, os textos normativos do ME, da Escola, os documentos do grupo , as suas  experiências de aprendizagem com os alunos , conectar todas esses dados, tentar entender as suas contradições, tentar perceber o que a sociedade, o estado, a escola, os pais, os alunos  querem deles, o que eles querem fazer, porque , como , onde , quando, para quê?

Enfim o professor pode começa a pensar nas inúmeras respostas  às grandes perguntas: Quem Sou? Donde Venho? Para onde Vou?

E contar as suas histórias do ponto de vista reflexivo, auto-analisando-se . Compartilhar essas histórias com os outros, connosco  pelo menos dentro deste grupo que criámos agora na APECV  ( http://portefolio.ning.com/)   e criar uma verdadeira cultura da avaliação profissional entre pares , baseada em vivências únicas

TRACES: Sustainable Art Education

Dear Colleague,
The InSEA (International Society of Education through Art) European Congress 2010 will offer you an artistically and intellectually inspiring meeting in a fascinating context. The main purpose of the InSEA Society is the encouragement and advancement of creative education through art and crafts in all countries and the promotion of international understanding. Focusing on vital present and future issues and challenges of art education, the scientific and artistic programme of the congress is designed to improve dialogue from diverse perspectives and to offer a platform for generating new visions and methods for the research and practice of art education at all levels and sectors.

The major theme of the congress is TRACES: Sustainable Art Education

Deadline for abstracts: 30 January 2010
Congress Dates: 21-24 June 2010
Venue: University of Lapland, Rovaniemi, Finland

Please forward this message to any colleagues whom you feel would be interested in the congress.

For all congress details, please visit the following link: www.ulapland.fi/insea2010 <http://www.ulapland.fi/insea2010>

We look forward to seeing you in Rovaniemi next June!

- Si se considera que hay que cambiar la matriz escolar ¿estamos en condiciones de proponer una nueva?

Num contexto que apela á educação social e aos valores democráticos, a aposta por um desenvolvimento que seja coerente, sensível, sustentável, humano, ético, comunitário, cívico, autónomo nas suas concepções e praticas, deve ir muito mais além da retórica dos discursos, comprometendo e responsabilizando o trabalho psicológico-social (no mundo académico e profissional) com formas de pensar que sejam verdadeiramente alternativas (Goméz, J.A.C.; Freitas, O.M.P.; Callegas, G.V.; 2007).

Eu acredito que essas formas alternativas de pensar e de fazer , e de educar para a transformação social já existem e estão em pratica quotidiana de centenas de educadores em contextos formais e não formais de educação. E tendo em conta os impactos positivos dessas praticas nas vidas dos indivíduos e no desenvolvimento as comunidades que as experimentaram creio que é tempo de começar a sistematizar partir das praticas, não só da sua descrição mas também da análise e triangulando os resultados com a investigação que se está fazendo creio que poderemos desde já começar a enunciar algumas premissas para uma nova matriz . por exemplo

- Aprendizagem baseada em projectos de trabalho relacionados com a comunidade com a vida real do(a) estudante
- Ensino individualizado
- Educação artística de todas as artes no centro do currículo , mas uma educação artística questionadora, que fomente atitudes criticas e desenvolvimento do ser e do estar . Nem tudo o que se chama de educação artística é boa educação artística . Através da prática das artes as crianças e os jovens adquirem consciência do mundo em que vivem e adquirem meios para resistir e intervir directamente na sua comunidade. Não de uma prática apenas tecnicista ou instrumental mas de uma prática artística milenar que artistas e educadores contemporâneos estão de novo a retomar, a prática social do artista activista, facilitador de processos psicológicos e sociais de construção de significados e de enriquecimento cultural.

Parece ter incrementado significativamente o reconhecimento da tarefa de educar como um trabalho valioso e valorizável para um melhor futuro da humanidade, revelando-se como um suporte cívico fundamental (Savater, 1997).  No mundo da educação artística existe um grande medo da educação para os valores, medo de perder valor cognitivo das disciplinas das artes, a sua objectivação e seu alinhamento com as ciências. Talvez seja hora de encarar os desafios de uma sociedade que apela para a educação para a paz, para o desenvolvimento sustentável local e global, e dentro desse âmbito para a educação ambiental. Existem questões urgentes que a sociedade precisa de resolver, as alterações climáticas são apenas uma delas, as desigualdades sociais, as iniquidades de género, a violência e a intolerância são outras prementes que necessitam de ser tratadas no campo da educação. As artes podem e devem integrar esses temas nas suas praticas diárias como pontos de partida para questionamentos, reflexões e projectos de trabalho artístico a desenvolver na escola e nas comunidades. Mas para tal seria necessário e urgente reequacionar s âmbitos e conceitos de artes no mundo da educação artística (Aguirre, 2000), tanto na formação de professores como na formação continua. Os professores e os sistemas educativos apenas reconhecem alguns territórios das artes, normalmente os que a cultura dominante valida nos circuitos oficiais das ditas’ artes cultas’, desvalorizam ou desconhecem as outras artes, e têm dificuldade em compreender e aceitar as chamadas culturas populares, de massas, urbanas, juvenis, etc.

Aguirre, I. ( 2000). Teorias y Practicas en educación artística. Ideas para una revisión pragmática de la experiência estética. Pamplona, Universidad Pública de Navarra, 2ª Ed. 2005
[Goméz, J.A.C.; Freitas, O.M.P.; Callegas, G.V. (2007). Educação e Desenvolvimento Comunitário Local: Perspectivas Pedagógicas e Sociais da Sustentabilidade. Porto: ProfEdições.
Savater, F. (1997). O valor de educar. Lisboa: Presença. ]

e-book

Finalmente, terminado!!!

Eça, T.T. ; Kroupp, R. and Lam, BH (2009) Young People Visions of the World. Bentham Books
http://www.bentham.org/ebooks/9781608050352/index.htm

arte educaçã na America Latina

A Minha  ida à  Cimeira  Latinoamericana y Caribeña de Educación Artística, em  20-23 de Novembro em Bogotá, Colômbia e ao Congresso de Belo Horizonte no Brasil entre 25 e 28 de Novembro fez-me repensar as minhas ideias sobre educação artística .

 Conhecer a realidade da América Latina   foi uma mudança radical na minha posição ideológica tanto sobre educação, como arte e educação artística. Dou agora conta de como a minha visão era ocidental e parcial e  fico deslumbrada perante as inúmeras abordagens que existem no mundo real , as diferentes visões de artes , de artistas e de educadores. Creio que começo a libertar-me do posmodernismo  . Até  que enfim!!!

 

A cimeira de Bogotá foi organizada pela Ámbar Corporación Cultural para la investigación y el desarrollo del Arte, la Cultura y la Educación Artística; InSEA e WWA com o apoio da OEI, ela encadeou Numa série de cimeiras que têm sido organizadas pela World Arts Alliance ( InSEA, IDEA, ISME, WDA)  em vários locais do mundo para discutir uma acção concertada na área da educação artística.  Juntou especialistas , instituições, ONGs, organizações da sociedade civil . Poderia à primeira vista parecer confuso junta toda esta gente , e ao princípio também me fez confusão. Mas reflectindo agora sobre isso parece-me que foi um exercício tremendamente arrojado de pratica dialógica. Interessados e profissionais de educação artística sentaram-se lado a lado,  discutindo questões essenciais  que  são comuns trazendo perspectivas diferentes , os investigadores das universidades, os responsáveis de secretarias de cultura e educação, professores de  escolas privadas e públicas; artistas, animadores culturais,  pessoas  de empresas e serviços culturais.  Senti que havia fossos entre as várias partes, senti que havia  um desconhecimento total da abrangência da arte educação  e das suas várias aplicações e funções na sociedade . Mas o que foi muito positivo foi que existiu um momento de encontro sem hegemonias. De diálogo construtivo entre as várias partes.

 

Nas mesas que tinham o nome lindo de conversatórios e nos grupos de trabalho aparecem todas as definições:  educação pela  arte; educação com a arte , treino de artistas, sensibilização estética, arte educação para  a construção de identidades, para a educação para a cidadania, para a educação ambiental, pluridisciplinar, como eixo estruturante ,como instrumento , como veiculo, como conhecimento específico.   Existiram discursos centrados na qualidade e excelência, no domínio da técnica, no desenvolvimento de inteligências , capacidades, criatividade. Outros, interessados na educação artística como formação de públicos, ainda outros falando do peso das industrias culturais na economia e necessidade de preparar a força de trabalho criativa através das artes.  Alguns focando o valor único das artes para a compreensão  do Eu  e do mundo .  Muitos focando as artes, a educação  e a cultura para a transformação social.

O Congresso Latinoamericano e Caribenho de Arte/Educação, o 19° CONFAEB e o Encontro Nacional de Arte/Educação, Cultura e Cidadania organizado pela  CLEA, InSEA, CONFAEB e AMARTE  foi uma experiência inovadora de metodologias de diálogo a  partir de questionamentos para grupos de trabalho.  Juntou professores de Ensino fundamental e médio em escolas públicas e privadas, educadores artistas trabalhando em ONGs, secretarias de estado e cultura . e professores universitários.

 

 Após os dois congressos sinto que esta vivência foi importante, não só questionadora como também activa, construtiva. De facto existe aqui, na América Latina e no Caribe uma atmosfera única e uma visão diferente da educação artística.  Passam imagens na minha memória, relatos pungentes sobre um continente de extremos, de extrema riqueza e de extrema pobreza, de corrupção, de guerra cíclica, de violência, de limites extremo.  Lembro-me da artista plástica Maria  Rosalba de Bogotá que me dizia: ‘ Estamos fartos de enterrar as crianças, estamos fartos de violência, tivemos que começar por algum lado , pela arte, pela educação …’ Lembro-me dos 3  jovem estudantes de uma faculdade de  Artes que todos os sábados durante um ano e meio instalavam um atelier de artes e educação ambiental na rua de um bairro pobre de Bogotá, ao lado das  drogas e prostituição as actividades que fazem juntam crianças adolescentes e adultos, oferecem um espaço para lidar com a humanidade de uma comunidade destroçada pela violência quotidiana, lembro-me das artistas Claudia & Cláudia que tinham um atelier escola num bairro rico de Bogotá e me diziam todos têm direito à Educação artística tanto o pobres que  frequentam as actividades promovidas por Ongs, Fundações, escolas públicas  de secretarias de estados como os meninos da classe média-alta que ficam em casa  vidrados no computador, na consola de jogos e na televisão enquanto os pais enriquecem mais.   Passam-me imagens da orquestra Batuta onde todos os meninos e meninas pobres  podem aprender a tocar um instrumento e de  aquela escola de artes de uma Fundação bem subsidiada por entidades internacionais onde os meninos e meninas aprendem o silêncio, o corpo e a dança. Fico sem saber o que pensar ,  com a certeza porém d que a arte educação é um terreno bem maior do que eu o pensara alguns anos atrás. Não que aceite agora que seja panaceia para todos os males sociais , ou  remédio miraculoso para a paz, a coesão social. Mas acredito cada vez mais que pode ser  caminhos possíveis para que as pessoas se encontrem, reencontrem, aprendam a ser e a estar consigo mesmo e com os outros.    

 

Lembro-me das conversas com o grupo de artistas, com o grupo de professores de artes da rede publica,e  com os alunos de um Instituto de Educação  (16-18 anos) em  de Nova Friburgo. Penso nos dezasseis anos da  Livian, moça com uma alegria de viver e de aprender tão grande como o infinito.  E dessas conversas ficou-me um sabor a esperança e a vontade de mudança que não encontro no meu país demasiado ocupado a consumir o supérfluo e a marcar posição no PISA.

 

Penso  nas visitas que fiz no Brasil a escolas oficinas de arte subsidiadas pelas municipalidades para actividades artísticas  extra curriculares, de como me deslumbrei porque a realidade é tão diferente da Europa . Conversei com educadoras que estiveram na fundação dessas escolas , com responsáveis de secretarias de estados de educação e cultura, com alguns jovens que as frequentam.  Conversei com muito actores dessas escolas, dessas oficinas, com as pessoas que trabalham no terreno, ouvi os seus problemas, as suas esperanças, pensei com eles hipóteses para a sustentabilidade dos projectos educativos e culturais que na maior parte das vezes dependem de poder politico  com uma visão eleitoral limitada no tempo, dependem de apoios de entidades que não oferecem continuidade.  Senti a instabilidade profissional, a instabilidade institucional como deve ser complicado projectar a longo prazo as actividades implantadas !! . Com um grupo de educadores e agentes culturais de  S.Paulo e de Campinas senti como era importante essa continuidade dos projectos educativos e culturais, como era importante dignificar e valorizar a profissão do arte educador,  como os arte educadores são agentes e transformação social.

 

Ana Angélica ensinou-me que a educação acontece em qualquer lugar, com o que houver nesse lugar, areia, terra, árvore, o conhecimento não precisa de malas, está na cabeça do educador. A  Rose ensinou-me como a perseverança e o amor são importantes na arte educação, como é necessário estabelecer negociações nas comunidades com os agentes do poder local, com os media locais,  com a famílias, com os funcionários , com os professores e educadores.

 

A Raquel, a Lorena,  a Rosvita, a Rosângela e tantos outros educadores e educadoras ficaram no meu coração verdadeiras lutadoras num campo com poucas aberturas mas com inúmeras possibilidade. Lembro com  saudade   Halaix, Eltz, Carolina,  Sónia,  Luvel    no atelier de Sónia em Bogotá, e fico pensando como na América Latina a arte educação tem responsabilidades e procura soluções para conflitos sociais, problemas ambientais, e ajuda as pessoas a encontrarem  paz interior.  Como arte educação para  eles quer dizer transformação social.

 

Como  eu gostaria de seguir as crianças e os adultos  que frequentam as actividades de arte educação, de continuar seguindo  estes educadores, como eu gostaria de acompanhar essas actividades e estudar  o seu  impacto a longo prazo!!! Será que algum outro investigador tem essa mesma curiosidade!!!

 

Fico pensando para mim, como o meu conhecimento é pequeno e o meu mundo redutor, como arte educação pode ser muito mais,  pode ter enfoques tão diferentes e propósitos tão variados dependendo dos contextos , das urgências de cada país, de cada comunidade . Se calhar às vezes nem precisamos de falar artes, se calhar às vezes só precisamos de falar educação,  se calhar poderíamos ver a artes de um modo diferente , longe das elites culturais , mais relacionadas com a vida real , mais abrangentes, mais facilitadoras do conhecimento e dos sentidos. Se calhar  o fim da visão pós modernista é um caminho que já está a ser trilhado. E se calhar,  eu encontrei as primeiras pegadas um pouco por todo o mundo na diferença e pluralidade,  na aceitação de todos os caminhos por muito contraditório que me possam ter   parecido um dia.  

o olhar

‘ O Olhar’ trata da maneira como olhamos e as circunstâncias em que nós olhamos. Refere-se à nossa predisposição para ver as coisas de certa maneira, o que trazemos para as imagens e as relações que formamos com elas. Os Modernistas salientavam apenas uma maneira de olhar, o olhar estético que era contemplativo. Saboreávamos calmamente essas qualidades estéticas como a beleza das cores e da composição formal, o sublime das nuvens, a expressividade das características faciais, e assim por diante. E nos museus de arte ainda somos capazes de fruir nessas condições e saborear o tempo, mas fora do museu, na frenética vida quotidiana saturada por imagens olhamos de outras maneiras.

. Alguns olhares são género, sexista e racista, policiamento, simpático, respeitoso e amoroso, e assim por diante. Eles dependem, em parte, do que estamos olhando e, em parte, das assunções que trazemos para o olhar. O nosso olhar pode ser voyeurista, onde temos o prazer em ver alguém que não tem conhecimento de nós, ou um olhar  sádico onde o prazer é levado em assistir a algo de mau a ser feito a alguém. Ambos os olhares colocam o espectador numa relação de poder em relação ao objecto do olhar.

 

Considerando-se que  o olhar centra a atenção sobre nós, o espectador e a relação com o que se vê. As imagens convidam-nos a ver de uma maneira particular, mas também chegamos a elas com intenções predeterminadas  sobre o que vemos. O olhar é, portanto, um meio crucial para se entender a nós mesmos como indivíduos e como sociedade. Ele oferece uma orientação muito diferente da orientação da apreciação estética modernista , que tende a concentrar-se nos construtores da imagem,  descrevendo, interpretando e avaliando o seu trabalho sem necessariamente considerar o que nós trazemos para a imagem. A ideia do olhar introduz uma gama muito mais ampla de objectos e abordagens do que as formas tradicionais de apreciação artística. O conceito do olhar  direcciona o foco sobre o nós, o espectador, e o nosso contexto.

estetica e ideologia

As ideologias funcionam  por causa da sua aparente naturalidade e do seu reforço frequente. As ideologias também funcionam pelas  imagens , porque elas estão embrulhadas em formas altamente estetizadas. Platão tinha boas razões para ser cauteloso com as  imagens. As imagens são sedutoras,  fazem apelo aos sentidos e  evocam respostas emocionais. Muitas são bonitas ou sublimes, duas tradicionais qualidades estéticas, mas existem muitas outras qualidades sensoriais. Algumas pessoas são atraídos pelo grotesco . Talvez  que algumas pessoas sempre fossem  atraídas para o sentimentalismo. Algumas pessoas consideram o feio como belo, e alguns são claramente atraídos  pela violência, pelo visceral, que pode, simultaneamente, provocar  repulsa e fascinio. . Há uma estética anoréxica, uma estética da obesidade, uma estética do frio, da “prostituta chic” e mesmo “heroin chic”. Críticos falam de estética referentes a qualquer número de formas culturais específicas, como animação, jogos de vídeo, caixas de almoço japonês e telefones celulares, ou ambientes específicos, como desertos e montanhas, ou etnias específicas, como a estética Afro americana e Europeia com a cor da pele e tipo de cabelo, ou as condições sociais como a pobreza, perda e falta de moradia, ou a estética particular de  regimes políticos dos estados totalitários  a estética das democracias liberais e, por último, mas não menos importante, do consumismo e mercadorias, de marcação e apresentação da mercadoria.


ideologias e imagens, traduzindo o pensamento de Paul Duncum

A ideologia é expressa através de sistemas de signos culturais que são constituintes da prática social; ideologia informa o modo como as pessoas agem no mundo e a maneira como as pessoas agem por sua vez, tende a justificar e reforçar a ideologia. As imagens visuais são saturados com ideologias que revelam as esperanças, medos, expectativas, certezas, incertezas e ambiguidades da nossa vida. Por meio de imagens  partilhamos pressupostos sociais sobre o modo como o mundo é, deveria ser, ou não deveria ser. Todas as imagens são ideológicas, no sentido de que a imagem surge de uma matriz de ideias concorrentes, valores e crenças e é sempre feita com um propósito. Algumas ideologias comuns têm a ver com sexo, raça e classe.

 

Por exemplo  cada vez que uma imagem assume  que a normalidade é a heterossexualidade   marca a homossexualidade como desvio, e cada vez que um  homem é representado  como racional as mulheres são representadas como mais emocionais. É  óbvio também na maneira como  as outras raças são estereotipados como algo inferior - como maldoso, desonesto, em bruto ou estúpido - ou um estilo de vida de classe média é oferecido como normais e pessoas da classe trabalhadora são vistos como preguiçosos, incultos, ou palhaços.

 

A Ideologia é geralmente expressa como truísmos, como dados. Oferecidas  como natural e repetidas muitas vezes, as ideologias passam a constituir o que parece incontestável. É preciso coragem intelectual para argumentar contra o que os outros vêem como parte da própria natureza das coisas. Mas as ideologias não são verdades universais. São apenas formas de pensar. Pensemos em como as imagens do passado têm apoiado regimes políticos e económicos - Feudalismo, o totalitarismo, Socialismo e Democracia, por exemplo - que são inerentemente contraditórias. Hoje, não é surpresa que, numa sociedade de consumo, a televisão - ainda o nosso sistema de comunicação principal - consistentemente oferece a visão de que a felicidade é obtida através do consumo de bens. No entanto, esta é claramente uma ideia contestável, e muitos artistas visuais contemporâneos fazem exactamente isso. As Ideologias, por muito persuasoras e penetrantes que sejam, podem sempre ser contestadas.

 

parcerias

As instituições culturais e as escolas podem cruzar-se sem confundir a educação cultural feita num lado -  educação não formal - e noutro - educação formal.  O cruzamento entre escolas e museus ou espaços culturas faz parte de uma rede de nódulos gigantescos pertencentes a  uma estrutura rizomática impressionante para o qual tenderia  uma sociedade que aposta na cultura global e   local através de espaços culturais onde se desenvolvem projectos  colaborativos  desenhados em conjunto desde a raiz entre todos os participantes  desse interface sem que nenhum dos intervenientes imponha a sua visão da cultura ou a sua maneira de fazer  cultura quer seja local ou global, em contextos educativos ou de entretenimento.

boas praticas

O  trabalho da professora  Ana  Barbero e do artista Yuraldi Rodriguez Puentes   (parceria Museu Grão Vasco e Instituto Piaget de Viseu)  que consistiu na  recriação da  oficina do pintor renascentista  Vasco Fernandes  numa sala do Museu  Grão Vasco para jovens  da comunidade de Viseu, Portugal  ( Programa Insiteso09[1] , Museu Grão Vasco, Junho 2009) é um exemplo da capacidade de inovação  de jovens artistas educadores que se dedicam à educação das artes como compromisso social. 




[1] http://insitesviseu08.espacioblog.com/