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O Dilema das Classes Especiais

O Dilema das Classes Especiais …

                                                                                  Lisete Maria Massulini Pigatto[1]

Ao concordar com a Declaração Mundial de Educação para Todos o Brasil fez a opção pela construção de um Sistema Educacional Inclusivo firmado em Jomtien, na Tailândia, em 1990, e na Conferência Mundial sobre Necessidades Educacionais Especiais: Acesso e Qualidade, em Salamanca na Espanha em 1994. Desse modo, inicia-se a Política Nacional Inclusiva e com o apoio legal vai se estruturando.

Atualmente o Governo Federal vem fechando as Classes Especiais e colocando todas as crianças com necessidades especiais na sala de aula, nas escolas regulares. Uma medida preocupante, pois existem alunos que precisam de um trabalho alternativo, necessitam de tempos, espaços e aprendizagens diferentes dos demais. Alunos que requerem trabalhos inclusivos diversificados e interativos.

Essas medidas vêm causando um alerta entre os profissionais da educação, pois não foi por essa inclusão social que tanto lutamos. A impressão que se tem é que: ao invés de fortalecer a inclusão de uma forma saudável, criando oportunidades ao desenvolvimento humano estão legalizando a exclusão. A retirada das Classes Especiais e a ausência de propostas alternativas preocupam, pela sua função relevante.

A inclusão requer flexibilidade, acordos e parcerias. Uma gestão pública comprometida com a causa da inclusão social. Capaz de gerar oportunidades de educação trabalho emprego e renda. Não é dessa maneira que vamos resolver os problemas, com medidas radicais. Tem se a impressão de que as decisões estão sendo tomadas por pessoas que não conhecem a realidade da escola. Para muitas crianças a escola é o único espaço de socialização que possuem, o transporte escolar é o único passeio que fazem em virtude das suas precárias condições socioeconômicas. O passeio diário torna-se fundamental no processo de socialização, na organização mental e emocional, pois estimula, motiva e oportuniza a criança a vir à escola.

A principio tudo isso parecia uma grande piada, mas infelizmente é uma triste realidade que precisa ser revertida com urgência. A inclusão é uma prática que existe para além das leis. Vem instigar as pessoas a humanizar-se, inspirar uma nova ética, induz a emancipação, ao desenvolvimento da cidadania pró-ativa. De modo que o povo possa encontrar-se, melhorar as suas condições de vida, respeitar as suas diferenças com acessibilidade na diversidade em busca de uma cultura de paz.



[1] Atua como Educadora Especial na Rede Estadual e Municipal de Santa Maria, RS. Psicanalista. Tutora do Curso de Pedagogia EAD da UFSM. Doutoranda em Ciências da Educação na UTIC pelo Acordo do Mercosul. E-mail: lisetepigattoaid@yahoo.com.br.

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